POLÍTICA
01/03/2012
Favorito em Aracruz precisa resolver
pendências na Justiça para disputar
Renata Oliveira
Foto capa: Nerter Samora
O deputado estadual Marcelo Coelho (PDT) é considerado o favorito na disputa eleitoral em Aracruz, no norte do Estado. Mas para disputar, ele terá que ficar com um olho no processo eleitoral e outro na Justiça. Além de pareceres contrários do Tribunal de Contas (TCE) que ainda carecem de esclarecimento por parte dos conselheiros, podendo sujar a ficha do parlamentar, ele ainda tem dois processos de improbidade administrativa para responder.
Um é referente ao mandato dele como deputado estadual e envolve uma acusação de empregar funcionários fantasmas na Assembleia. A ação foi aceita na 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Estadual, mas ainda não há uma definição, por isso, não implicará em impedimento para o deputado disputar a eleição a prefeito.
Outro processo é mais preocupante. Trata-se da ação de improbidade impetrada em 2005, sobre o período em que Marcelo Coelho respondeu pelo município de Aracruz – ele foi vice-prefeito de Cacá Gonçalves (PSDB) e chegou a assumir o cargo interinamente -, referente a pagamento de Jeton aos vereadores, por convocações extraordinárias em 2001 e 2004.
Esse processo já teve sentença publicada pela Justiça de Aracruz determinando o pagamento de multa por parte do deputado e de outros envolvidos, assim como a perda de seus direitos políticos. Como a decisão não é colegiada, ou seja, foi sentenciada pelo juiz da comarca, o deputado, por enquanto não tem impedimento de disputar, mas o recurso está na 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), sob relatoria do desembargador José Paulo Calmon Nogueira da Gama. Se o deputado não reverter a situação no Tribunal, ficará em risco para a eleição.
Os processos contra Marcelo Coelho serviram para aumentar a polêmica na Assembleia em relação à escolha da nova Mesa Diretora, com a saída do presidente Rodrigo Chamoun (PSB) para assumir uma vaga de conselheiro do TCE. Para alguns deputados as denúncias contra o pedetista e os processos na Justiça, além das pendências técnicas em suas contas apontadas pelo Tribunal de Contas, deixam o plenário desconfortável com a ideia de ele assumir a vice-presidência da Casa.
Outros nomes
Outros nomes
Em Aracruz, a posição de Marcelo Coelho é confortável na disputa eleitoral, por conta do desgaste político do grupo do prefeito Ademar Devens (PMDB), que respingou no vice-prefeito Jones Cavaglieri (PSB). O socialista que vinha sendo apontado como um nome a ser trabalhado para a eleição, não conseguiu durante seu período na prefeitura se desvencilhar do nome do prefeito e acabou sofrendo também o desgaste.
Um nome que vem sendo assediado por lideranças e moradores é o do abade do Mosteiro Zen Morro da Vagem, de Ibiraçu, Daiju Bitti. O abade é filho do ex-prefeito de Aracruz Primo Bitti e a família, residente no município, está afastada da política, mas o nome dele ainda é forte nos meios políticos.
Daiju Bitti segue a vida no mosteiro, mas seus familiares vêm sendo consultados sobre o desejo de uma parte da população em ver de volta ao cenário um representante da família. A mãe de Daiju Bitti, Maridéia Bitti, é uma das que mais recebe as manifestações favoráveis ao retorno de um representante da família Bitti à disputa política local. O abade, porém, embora não descarte a ideia, não faz movimentos que sugiram sua entrada na disputa deste ano.
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